Bailey e Ellie um amor para se guardar no peito...  

Posted by: Rose Porciuncula in


Vou contar a história dos mais recentes e amados hospedes que roubaram meu coração.
Escrever às vezes não é fácil e nos tira sentimentos que preferiríamos esconder e guardar trancafiados dentro do peito em um lugar que ninguém possa ver ou imaginar,  nem nos mesmos. Escrever histórias e roteiros de ficção sempre é bem mais divertido.  

Só que hoje vou contar uma história real que se passou nessa ultima semana comigo, meu marido e dois lindos cãezinhos.

Na nossa rua temos um grupo no what´s app para possíveis acontecimentos da rua e para comunicados de interesse aos mesmos. A poucos metros de meu sítio tem um canil de reprodução de cães de raça.

Na manhã de segunda-feira dia 22/05 nossos cães estavam inquietos e os cães do tal canil também. Meu marido foi olhar o que estava acontecendo e viu os dois Schnauzers no meio da rua e me falou. Eu por minha vez entrei em contato no grupo tentando ver se alguém sabia de que eram.  Também mandei uma mensagem direta para o proprietário do tal canil que se encontrava no centro naquele momento e me prontifiquei a busca-los e abriga-los até a hora que ele voltasse. O fato é que se demorasse muito a resgata-los os ônibus ou até algum carro iria atropela-los, pois não saiam do meio da rua e o local é em uma curva.

Resgatamos e enviamos uma foto para o proprietário do tal canil que constatou  que os cães não eram dele e nem os conhecia. Mandei foto para a moça que faz banho o tosa dos cães do bairro que também nunca os tinha visto por aqui. Acabei abraçando a causa, como não poderia deixar de ser. Não os jogaria na rua novamente de forma alguma.
Aqui em casa temos 10 cães, devidamente alojados e há anos, sendo que entre eles temos 3 cães muito brabos da raça Rottweiler, nada sociáveis com outros animais. Tanto que um deles mora na casa, separado dos que ficam na parte isolada da casa guarnecendo a frente do sitio.

Todos acostumados com uma logística que levamos anos para acertar. Conseguir organizar cães territorialistas não é nada fácil. O fato é que se bobear temos briga entre eles. Na casa temos além da Rottweiler, o Pit Bull e o restante deles.  Em outra configuração se tornaria inviável, se um deles se mistura as brigas são garantidas.
Acomodar os dois cãezinhos foi mega difícil, mas arranjamos uma maneira, acomodando-os de dia na área da churrasqueira e a noite no galpão. Essa manutenção tomava tempo, mas valia a pena por que ambos eram uns amados. Como não poderia ser diferente em pouquíssimo tempo me apeguei muito aos dois.

Dei o nome a eles de Bailey e Ellie que acreditem ou não já atendiam.


Tentamos de tudo para encontrar os donos porque eu literalmente não me conformava alguém ter abandonado cães tão dóceis e encantadores. Fora o fato de estarem com a tosa em dia, quem abandonaria cães tosados, eu pensava. Já quanto à sujeira eu acreditava ser explicável, por estarem correndo no mato.

Tomei todas as atitudes possíveis. Coloquei anuncio nas redes sociais, procurei pelos donos nas casas próximas, até na televisão saiu, mas nada. Ninguém procurava por eles. Na quarta-feira a Ellie escapou e por pouco não parou na boca dos Rottweilers de baixo, foi uma correria, pegamos ela a tempo de não haver confusão, devido a esse fato resolvemos doa-los mesmo eu não querendo por motivo de segurança.


Continuava sem querer acreditar que alguém havia os abandonados. Desenvolvi uma afeição extrema com eles o que me fez não querer mais ficar longe deles. Decidida ficar com eles na esperança de nada de ruim acontecer na quinta-feira marquei banho, tosa e veterinário para o outro dia que seria sexta-feira. Nessa mesma noite de quinta-feira estava em uma reunião e resolvi oferecer os bichinhos para doação pensando no perigo que eles corriam eu continuava com medo de uma escapada inesperada de um deles. E não é que tinha um rapaz que tinha uma amiga que queria muito um cãozinho. 
Expliquei que teria que ser adoção dupla porque eram inseparáveis.  A conforme ele tal moça queria mesmo assim, era um sonho antigo dela.
Ficaram de vir pegar na sexta-feira  e eu resolvi que nós iriamos levar para ver se aprovaria a mesma e o local para a nova morada dos bichinhos. Cancelei veterinário e pet shop. 

Nessa mesma manhã o dono do canil citado no inicio me chamou no whats perguntando pelos cães e disse que o jardineiro dele estava lá e era o dono dos mesmos. Me passou o contato do jardineiro e da mulher dele. Fiquei feliz de mais, porque era o que mais queria. Nada como achar os verdadeiros donos.  Apesar de achar  bastante estranho um jardineiro ser o dono, morar em frente ao tal canil e ninguém conhecer os dois cachorrinhos Schnauzers, mas em fim longe de eu desconfiar do dito, ainda mais porque o mesmo chegou comentando que os bichinhos haviam fugido. O jardineiro não pertencia ao grupo de moradores da rua e por isso não ficou sabendo de todo o conteúdo na tentativa de achar os donos dos cãezinhos. Até aí tudo bem, mas o mesmo saiu de lá ao meio dia e não veio buscar os cães. Entrei em contato com a mulher dele que me disse que ele passaria a tarde e depois ficou para a noite e depois para outro dia.

Tudo muito estranho... Adoção a principio cancelada até eu falar com o possível dono.

Acabou marcando para o sábado na primeira hora da manhã. Chegou aqui por volta de 09h30min com uma coleirinha e abriu a caçamba do pick-up e iria colocar os bichinhos ali... (pensava que iria...Nem sob meu cadáver!)

Então o mesmo contou que trabalhava em uma casa em Cacupé e que a dona se mudou para um apartamento no centro e “não podia” levar os bichinhos junto e por esse motivo ele ficou cuidando deles. Como ele tinha alugado esse sitio aqui em Ratones fez um canil e trouxe esses coitadinhos para cá. Diz ele que isso faz seis meses, mas ouvimos o choro da Ellie há uns dois meses que creio ser o tempo que eles foram presos nesse canil.

Seus nomes eram Rocco com aproximadamente quatro aninhos e Lolla com aproximadamente seis aninhos.  Não eram nem mãe e filho e nem irmãos. Mas sim como já havia percebido amigos inseparáveis.

Ele por sua vez não esta mais morando no tal sitio porque sua mulher teve filho e foram para Ingleses até a criança ficar maiorzinha. Ou seja, os bichinhos voltariam para o canil e alguém às vezes viria trazer alimento e agua.
Ele falou por umas três vezes que o filho era a prioridade e que seria assim...

Então eu expliquei que tinha uma família interessada nos mesmo e que lá eles morariam dentro de casa como deveria ser e que seriam amados e mimados como crianças. E ele nos permitiu seguir com a doação.

Nesse momento entrei em contato com meu amigo que me passou os dados dos possíveis adotantes que estavam ansiosos era como receber os primeiros filhos deles, por isso e fui leva-los. Bailey e Ellie (Rocco e Lolla) haviam se afeiçoado a nós também e foi bem difícil deixa-los, pois não gostaram nada da ideia, ambos faziam coco sem parar coisa que aqui não fizeram aqui a adaptação foi imediata, mas acabamos os deixando lá. Ficaram meio perdidos sem entender porque estávamos os deixando lá...


O tempo todo nós pensamos no bem deles antes de qualquer outra coisa.
Deixei claro para os adotantes que se não se adaptassem nós os queríamos de volta.
Saí de lá aos prantos e ainda choro ao ver suas lembranças por aqui. Eles me enviam vídeos e fotos deles e dizem que estão se adaptando e que estão felizes.
Aprendi que nem tudo é preto ou branco, que tudo na vida tem suas nuances e por isso necessitamos ver sempre todos os lados de todas as situações sem julga-las ferrenhamente.

Meu coração diz que seriam mais felizes comigo, mas correriam o risco eminente de um dia serem pegos por um dos nossos cães brabos e isso nós não queríamos nem em pensamento. Então sofreremos nós, em prol da segurança deles.

É preciso querer o melhor para quem se ama. Amar é um ato que poucos sabem conjugar de forma correta...
Bailey e Ellie...Foi o amor que nos fez deixar vocês ir morar em outro lugar e é o amor que deixara vocês morando sempre dentro dos nossos corações.



PS 1: Não reli por motivos óbvios e por esse motivo pode ter erros no texto.


PS 2: As coisinhas deles vão ficar disponíveis  aqui por um tempo, para caso os adotantes se arrependam e me devolvam eles. (seria isso uma esperança?... no estilo ato falho?)

This entry was posted on domingo, maio 28, 2017 and is filed under . You can leave a response and follow any responses to this entry through the Assinar: Postar comentários (Atom) .

2 comentários

Caramba, Rose.... Chorei tanto... É tão difícil a gente se desapegar, mesmo que seja para o bem... Eu adotei um casal de irmãos que nasceram à beira da rodovia e a ninhada estava morrendo atropelada. Chamei-os de João e Maria e vieram para minha casa com aprox. 2 meses de idade. O João sempre foi muito medroso e chorão e a valente Maria o defendia sempre, cuidava dele, limpava seus ouvidos... Meu quintal é bem grande e temos um portão de ferro na entrada. Moro na primeira casa das quatro de uma vila na Moóca.
Quando eles estavam com 6 meses começariam as férias escolares. Era o último dia de aula e as crianças do colégio perto de casa resolveram soltar fogos para comemorar. A Maria apavorou-se e passou pelo portão, arrebentando um pedaço do ferro, havia marcas de sangue das patinhas dela na escada. O João, mais gorducho não passou. Meu marido chegou em casa pouco tempo depois e descobriu a fuga... Saiu pelo bairro chamando por ela. Rodou, dentro do bairro mais de 500 km de moto, molhamos tiras de pano na urina do João e espalhamos por todos os lados, fiz faixa, campanha nas redes sociais, no comércio. Nunca mais a vimos. O Joãozinho ficou deprimido, não queria comer, ficou ainda mais medroso... parou de chorar e sofria silenciosamente, olhando pelo portão à espera da Maria. Quase morremos juntos... No Natal fomos nós 3 de férias para casa em Bertioga. Era a primeira vez que o João iria viajar. Na noite de Réveillon nem fomos ver os fogos. Trancamos a casa e cobrimos as janelas, liguei uma música e ficamos os juntos, deitados na cama. Na semana seguinte uma vizinha disse que estava doando filhotes da cadela que ela tinha adotado e não sabia que estava grávida. Pegamos a Beyoncé. Uma negrinha linda e safada com apenas 1 mês de vida. O João demorou uns dois meses para aceitá-la... Hoje são inseparáveis e, não podemos imaginar a nossa vida sem esses dois... Não são nossos primeiros e nem serão os últimos... Mas são meus e ninguém tasca... beijoooooossssss

Ahhh chorei também com sua história...
Eu me arrependi muito de ter dado para esse casal, pois a moça esta fazendo pouco de mim e mal responde as minhas mensagens.
Meu amigo disse que ela era bacana, mas o Bailey e a Ellie não me pareceram gostar muito dela não, só que meu marido disse ser coisa da minha cabeça.
Em fim estou vivendo um dilema sem saber o que fazer! :(

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